A Floresta Petrificada

The Petrified Forest

1936

Sinopse: Fugindo da polícia, um gângster e seus capangas se escondem em um bar de beira de estrada no meio do deserto, fazendo reféns proprietários e fregueses. Enclausurados, os personagens começam a expor suas diferenças.

Baseado na peça homônima de Robert E. Sherwood, A Floresta Petrificada é um dos clássicos filmes de gângsteres que fizeram a reputação da Warner Bros. nos anos 1930. Mas, ao contrário das produções urbanas típicas do gênero no início da década, este é um gangster movie desértico, claustrofóbico, com um toque existencial e permeado pela melancolia. Pode ser visto como um predecessor do noir.

O andarilho Alan Squier (o eterno sofredor Leslie Howard), um escritor fracassado, para em um bar isolado à beira de uma estrada no deserto para comer e repousar. Lá conhece a filha do dono, Gabrielle Maple (Bette Davis, mostrando sua versatilidade no papel de uma jovem sonhadora, destoando de suas típicas “malvadas”), que lê poesia, pinta quadros e sonha em deixar o deserto e ir para a França, onde mora sua mãe. Em uma longa conversa, os dois revelam seus sonhos e desilusões. A atração é imediata, despertando o ciúme de Boze Hertzlinger (Dick Foran), um funcionário do estabelecimento que vive dando em cima de Gabrielle. Pouco depois chega o pedante casal Chisholm (Genevieve Tobin e Paul Harvey), que oferece uma carona a Alan (depois de mandar seu chofer revistá-lo). Porém, no caminho eles são sequestrados por Duke Mantee (Humphrey Bogart) e sua gangue, que estão fugindo da polícia e os obrigam a retornar ao bar, fazendo-os reféns.

Leslie Howard, Bette Davis, Charley Grapewin e Dick Foran

A partir daí, o bar se torna um barril de pólvora, com os personagens confinados descarregando seus preconceitos e frustrações um sobre o outro, enquanto aguardam seu destino. Alan se perde em divagações filosóficas. Gabrielle confessa seu amor instantâneo por ele, e a sra. Chisholm lamenta ter abdicado de seus sonhos em prol de um casamento forçado com o marido rico, alertando a jovem a não cometer o mesmo erro. Há até um curioso embate social entre um dos capangas de Duke, Slim (Slim Thompson) e o chofer do casal, Joseph (John Alexander), ambos negros, mas em posições diferentes (ou nem tanto). O gângster se torna uma espécie de juiz das tensões alheias, com a indiferença de quem não tem nada a perder. O alívio cômico fica por conta do avô de Gabrielle (Charley Grapewin), um velhinho que se gaba de ter conhecido Billy the Kid (e não ter levado nenhum tiro dele!) e é louco para ver novamente um assassino na área.

O falatório e a filosofia (literalmente) de boteco às vezes se tornam um pouco monótonos, mas o diretor Archie Mayo constrói bem o clima de tensão, desilusão e confinamento, antecipando filmes como Desencanto (Brief Encounter, 1945) e 12 homens e uma sentença (12 Angry Men, 1957) e tendo como pano de fundo a Grande Depressão e a Floresta Petrificada, região desértica do Arizona onde a ação do tempo transformou a vegetação em pedra – assim como fez com a vida dos personagens. O roteiro é assinado por Delmer Daves, mais tarde um renomado diretor de westerns, e Charles Kenyon.

Embora rodado quase totalmente em estúdio, com cenários pintados – apenas algumas tomadas foram feitas no Red Rock Canyon, na Califórnia –, o filme também chama atenção visualmente, com a fotografia de Sol Polito. Bette Davis está no auge da beleza aos 27 anos, loura e com seus legendários olhos brilhando.

Bette – que um mês após o lançamento ganharia seu primeiro Oscar, por Perigosa (Dangerous, 1935) – e Leslie Howard são os astros principais do filme, mas quem mais se beneficiou foi o então desconhecido Humphrey Bogart (que aparece em quinto lugar nos créditos). Ele e Howard reprisam os papéis que fizeram na Broadway. A Warner queria o já famoso Edward G. Robinson para viver Duke Mantee, mas Leslie, que tinha palavra final sobre o script, ameaçou abandonar a produção caso o intérprete original não fosse contratado. O sucesso do filme alçou Bogie à fama. Em 1952, ele deu a sua filha o nome de Leslie Howard Bogart em sinal de gratidão ao amigo, morto nove anos antes, quando seu voo foi derrubado pelos alemães durante a II Guerra Mundialx

Mantee foi inspirado no célebre gângster John Dillinger, morto pelo FBI ao sair de um cinema em 1934. Bogart foi escolhido por ter uma semelhança física com Dillinger. Para compor o personagem, o ator se baseou em imagens de arquivo do gângster e imitou alguns de seus maneirismos.

Slim Thompson e John Alexander também repetiram os papéis que viveram nos palcos.

Gabrielle, Alan e Duke Mantee

Com medo de deprimir o público, a Warner filmou versões do final: uma trágica, de acordo com a peça, e uma feliz. Nas prévias, os analistas adoraram o primeiro, que acabou entrando na edição que chegou aos cinemas.

Mais tarde, o filme foi adaptado três vezes para o rádio, em 1937, 1940 e 1953, e uma para a TV, em 1955. As versões de 1940 e 1955 tinham Bogart no elenco.

Ficha técnica:
Diretor: Archie L. Mayo
Elenco: Leslie Howard, Bette Davis, Genevieve Tobin, Dick Foran, Humphrey Bogart, Joe Sawyer, Porter Hall, Charley Grapewin, Paul Harvey, Eddie Acuff, Adrian Morris, Nina Campana, Slim Thompson e John Alexander
Roteiro: Charles Kenyon e Delmer Daves (baseado na peça de Robert Emmet Sherwood)
Fotografia: Sol Polito
Produtor: Hal B. Wallis
Estúdio: Warner Bros.
País: EUA
www.imdb.com/title/tt0028096

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s