A mulher parisiense dos cabelos de fogo

Red-Headed Woman

1932

Sinopse: Lil Andrews só tem um objetivo na vida: fisgar um homem rico. Após conquistar o chefe, destruindo seu casamento, ela se deixa levar pela vida na alta roda e se envolve em uma série de casos.

Se, ao pensar em filmes antigos, você só imagina enredos água com açúcar, mocinhas recatadas e galãs românticos, você precisa conhecer Jean Harlow e a era pré-Código Hays de Hollywood.

Em A mulher parisiense dos cabelos de fogo (candidato ao posto de tradução de título mais cafona dos anos 1930), Harlow vive Lillian “Lil” Andrews, uma jovem gananciosa e amoral que faz de tudo um pouco para subir na vida. Ela começa se atirando sobre o chefe, Bill Legendre Jr. (o galã Chester Morris), um poderoso empresário casado com Irene, sua namorada de longa data. Já casada com ele, Lil seduz o parceiro comercial de Bill, um homem bem mais velho, e ao mesmo tempo se envolve com o chofer dele. Como se não bastasse, ainda tenta matar o marido.

Chester Morris e Jean Harlow

Tudo isso é regado a muito álcool e pouca roupa. Para seduzir Bill, Lillian não hesita em exibir as pernas, cobertas apenas por uma meia-calça. Ela também aparece frequentemente trocando de roupa. Em uma das cenas mais emblemáticas do filme, Lil está conversando com sua amiga Sally quando percebe que ela está usando seu pijama novo emprestado sem permissão. A câmera então passeia entre as duas enquanto Sally devolve o pijama, sorrateiramente se esquivando de mostrar as partes “proibidas” das moças.


Em seu primeiro filme como contratada da MGM, Harlow ganhou a oportunidade de mostrar seu talento para a comédia, com uma atuação ao mesmo tempo provocante e divertida, que representou uma guinada em sua carreira. Além dela e de Morris, o elenco é recheado de bons coadjuvantes. Leila Hyams está cativante como a estoica Irene, a esposa traída e resignada de Bill. Una Merkel e a veterana May Robson, respectivamente como a amiga e confidente de Lillian e a tia de Irene, proporcionam momentos de alívio cômico. Lewis Stone (mais lembrado por seus sete filmes com Greta Garbo) é o sogro que tenta duas vezes subornar a mulher dos cabelos de fogo para que ela deixe seu filho em paz. E ainda temos Charles Boyer como o chofer e amante de Lil.

Charles Boyer e Jean Harlow

Chama atenção também o fato de Lil ainda se dar bem no final, apesar de tudo o que aprontou, sem precisar se regenerar. Conhecendo o moralismo de Hollywood, é um feito notável mesmo para a era pré-Código. Mas o filme não escapou das mãos da censura: o produtor Irving Thalberg teve que fazer dezessete cortes, e ainda assim houve reclamações do público. Banido na Grã-Bretanha, só foi exibido na íntegra em 1965.

O filme teve uma produção demorada. Várias atrizes foram cogitadas para o papel principal, como as estrelas do cinema mudo Clara Bow e Colleen Moore. No final, a loura platinada Harlow foi a escolhida para viver a ruiva.

Originalmente, o estúdio contratou o célebre escritor F. Scott Fitzgerald para escrever o roteiro em parceria com Marcel de Sano. Após um pedido de aumento e um desentendimento com De Sano, Fitzgerald conseguiu terminar o script. No entanto, Thalberg o considerou muito sério e contratou Anita Loos para reescrevê-lo, adicionando algumas doses de humor. Loos acabou recebendo crédito exclusivo pelo roteiro.

Harlow e Anita Loos em foto promocional para o filme

Em sua primeira cena, Harlow aparece tingindo os cabelos de ruivo e pergunta em tom de ironia: “Então quer dizer que os homens preferem as louras?” – uma autorreferência de Anita Loos ao seu romance publicado em 1925, que em 1949 foi adaptado para a Broadway e em 1953 virou um filme estrelado pela sucessora de Harlow, Marilyn Monroe.

Os dois maridos de Harlow trabalharam no filme: o supervisor de produção Paul Bern, com quem ela se casou logo depois do lançamento, e o diretor de fotografia Harold Rosson, a quem ela se uniria no ano seguinte, após a misteriosa morte de Bern.

O filme chegou aos cinemas em junho de 1932 e foi um sucesso imediato de público e crítica, sacramentando o nome de Jean Harlow como um dos maiores símbolos sexuais da história de Hollywood.

Ficha técnica
Diretor: Jack Conway
Elenco: Jean Harlow, Chester Morris, Lewis Stone, Leila Hyams, Una Merkel, Henry Stephenson, Charles Boyer, May Robson, Harvey Clark
Roteiro: Anita Loos (baseado no romance de Katherine Brush)
Fotografia: Harold Rosson
Produtores: Albert Lewin e Irving Thalberg
Estúdio: MGM
País: EUA
www.imdb.com/title/tt0023385/

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