Marrocos

Morocco

1930

Sinopse: Buscando esquecer o passado, uma misteriosa europeia chega ao Marrocos e se torna cantora em um cabaré. Lá, ela se envolve em um triângulo amoroso com um soldado da Legião Estrangeira e um milionário homem do mundo.

Em 1929, o diretor austro-americano Josef von Sternberg conheceu uma jovem atriz que buscava um lugar ao sol nos teatros de Berlim e a escalou para atuar em seu próximo filme, O anjo azul (Der blaue Engel, 1930). Antes mesmo do lançamento na Alemanha, a Paramount Pictures, distribuidora da produção nos Estados Unidos, se interessou pela nova estrela e ofereceu a ela um contrato para dois filmes. Assim nasceu Marrocos, a estreia de Marlene Dietrich em Hollywood e o início de uma lenda.

Dietrich encarna a persona que a consagraria como um mito do cinema: uma cantora de cabaré com um passado obscuro, desiludida com o amor e cuja sexualidade andrógina desafia os padrões sociais. Na cena mais conhecida do filme, sugerida por ela própria, Marlene canta vestida de fraque e cartola, brinca de maneira provocativa com a plateia e beija uma mulher na boca. Um belo cartão de visitas para o conservador público americano da época.



Sternberg e Lee Garmes desenvolveram técnicas de iluminação que favoreciam as feições da atriz e criaram uma fotografia esplendorosa, realçada pela suntuosidade dos cenários – incluindo o Rolls-Royce com que o diretor presenteou a atriz quando ela chegou à América –, dos figurinos e das dunas californianas que fazem as vezes de Deserto do Saara (as imagens desérticas, aliás, agradaram bastante ao governo marroquino, que lançou anúncios no The New York Times convidando os turistas americanos a visitar o país).

O filme se destaca por belos cenários e figurinos

Durante as filmagens, o astro Gary Cooper teve uma série de atritos com o diretor, que procurava destacar a personagem da novata em detrimento do dele e falava alemão com ela no set. Os dois homens quase chegaram às vias de fato, até que o ator reclamou com o estúdio. Isso tudo, entretanto, não impediu que Marlene e Gary tivessem um caso, embora ele estivesse ao mesmo tempo envolvido com a ciumenta mexicana Lupe Vélez.

A abordagem de Sternberg é visível no filme. Marlene, que aparece logo atrás de Cooper nos créditos, domina a história do início ao fim, enigmática, provocante e ao mesmo tempo amargurada, fazendo o galã parecer um garotinho perdido em cena. “Existe uma Legião Estrangeira de mulheres, também”, diz ela. “Mas nós não temos uniformes, nem bandeiras, nem medalhas, quando somos bravas. Nem faixa de ferido, quando nos machucamos.” A certa altura, o espectador chega a torcer para que o romance não vingue e até para que ela fique com o mais velho e insosso milionário, embora seja previsível que acontecerá o contrário.

Marlene Dietrich e Gary Cooper

Além de Dietrich e Cooper, o elenco traz dois dos meus coadjuvantes preferidos: o elegante Adolphe Menjou – como quase sempre, interpretando um distinto francês – e o cômico italiano Paul Porcasi, que o espectador talvez não identifique pelo nome, mas certamente se lembrará de ter visto seu rosto em inúmeros filmes da época. Em Marrocos, ele tem um de seus papéis mais extensos (e prolixos).

Adolphe Menjou, Marlene e Paul Porcasi

Marrocos estreou em dezembro de 1930 – cerca de um mês antes de O anjo azul chegar aos cinemas americanos – com enorme sucesso, sendo elogiado por nomes como Sergei Eisenstein e Charles Chaplin. Foi indicado a quatro Oscars: Melhor Diretor (Sternberg), Melhor Atriz (Dietrich), Melhor Fotografia (Garmes) e Melhor Direção de Arte (Hans Dreier).

Ficha técnica
Diretor: Josef von Sternberg
Elenco: Gary Cooper, Marlene Dietrich, Adolphe Menjou, Ullrich Haupt, Eve Southern, Francis McDonald e Paul Porcasi
Roteiro: Jules Furthman (baseado no romance Amy Jolly, de Benno Vigny)
Fotografia: Lee Garmes
Direção de arte: Hans Dreier
Produtor: Hector Turnbull
Estúdio: Paramount Pictures
País: EUA
www.imdb.com/title/tt0021156/

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