A década de 1930 e o cinema

Os filmes Gigantes do céu (Hell Divers, 1931) e Médico e amante (Arrowsmith, 1931) em cartaz na Times Square, 1932 (Foto: Samuel Gottscho)

Os anos 1930 são considerados o início da Era de Ouro do cinema, especialmente em Hollywood. Assim como foi crucial para os rumos da humanidade no campo sociopolítico, a década também ajudou a definir o futuro da sétima arte.

As inovações tecnológicas surgidas no final dos anos 1920, em especial a sincronização do som e a evolução da cor, abriram inúmeras possibilidades. Com imagens e performances mais realistas, o cinema se tornou a maior forma de entretenimento popular até o aparecimento da televisão.

Porém, na vida real os tempos eram difíceis. Os Estados Unidos atravessavam a Grande Depressão, que afetou o mundo inteiro, gerando uma onda de pobreza e pânico. A Europa, por sua vez, ainda sentia os efeitos da I Guerra Mundial e testemunhava a ascensão do nazifascismo, que culminaria com o segundo conflito em 1939.

Com isso, os estúdios precisavam de dinheiro, e o público, de distração. Em Hollywood, somente em 1930, foram produzidos mais de quinhentos filmes, apesar da crise e do aumento dos custos. Diversos gêneros tomaram forma e marcaram a década, como o musical – que, obviamente, só foi possível com o advento do som –, a screwball comedy (ou comédia maluca), os filmes de monstros, de gângsteres, de espadachins… Todos eram espetaculares, fantasiosos e escapistas, visando a atrair o público e fazê-lo esquecer os problemas, ao menos por algumas horas.

Os estúdios tinham o domínio total da produção. Mantinham os artistas sob rígidos contratos, trabalhavam cuidadosamente sua imagem pública e controlavam até sua vida pessoal, inventando dados biográficos e lendas, empurrando seus deslizes para debaixo do tapete e chegando a alterar documentos. Foi o ápice do star system, que transformava os atores em figuras míticas. Muitos nomes que ecoam até hoje em nosso imaginário coletivo despontaram e/ou tiveram seu auge nesse período: Clark Gable, Greta Garbo, Cary Grant, Marlene Dietrich, a dupla Fred Astaire & Ginger Rogers, Jean Harlow, Boris Karloff, Shirley Temple, Bela Lugosi, Mae West, os cômicos Irmãos Marx e Os Três Patetas… Sem contar o lançamento de clássicos imortais, como …E o vento levou (Gone with the Wind) e O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), ambos de 1939, considerado por muitos o grande ano da história do cinema.

Louis B. Mayer, chefe de produção da MGM
Clark Gable e Vivien Leigh em …E o vento levou
M – O vampiro de Dusseldorf (M, 1931), de Fritz Lang

Enquanto isso, no Velho Continente, a abordagem era mais sombria e a produção, mais autoral. Particularmente na Alemanha e na França, destacaram-se os filmes expressionistas de Fritz Lang e o realismo poético de Jean Vigo, Marcel Carné e Jean Renoir, precursores do film noir da década seguinte. Na Inglaterra, o futuro mestre do suspense Alfred Hitchcock começava a chamar a atenção.

Tudo isso faz dos anos 1930 a década mais fascinante e glamourosa da indústria cinematográfica, que pode ser considerada o berço do cinema como o conhecemos hoje, mais de oitenta anos depois. Vamos conhecer um pouco dessa história?

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